Muita gente chega até mim dizendo que já pensou em começar terapia, mas foi adiando por causa da logística: o trânsito, o horário do trabalho, a falta de tempo. A terapia online resolve boa parte disso, mas também levanta dúvidas bem práticas: por onde começar, onde fazer, o que preciso ter em casa. É sobre isso que vou falar aqui.

Este texto é um guia prático de como fazer terapia online, do primeiro passo até a constância das sessões. Se você quer entender se esse formato é indicado para você, escrevi sobre isso em terapia online funciona?. Aqui, o foco é a parte prática: o caminho, a preparação e os combinados.

Como fazer terapia online: passo a passo resumido

Em resumo: você escolhe uma psicóloga com registro ativo, conversa com ela, agenda um horário fixo semanal e participa da sessão por vídeo em um lugar reservado. O restante é ajuste fino. Veja o passo a passo:

  1. Procure uma psicóloga que atenda online e confira se o registro profissional dela está ativo.
  2. Tenha uma primeira conversa para entender a abordagem, os horários disponíveis e como ela trabalha.
  3. Agende um horário fixo semanal e combine a plataforma de vídeo e as regras de remarcação.
  4. Prepare um ambiente reservado, com fones de ouvido e internet estável.
  5. Na primeira sessão online, você vai falar sobre o que te trouxe e combinar os detalhes do trabalho (explico em detalhes como funciona a primeira sessão de terapia).
  6. Mantenha a constância: crie rituais antes e depois da sessão e anote ideias ao longo da semana.

Como encontrar e conferir uma psicóloga online

Você pode encontrar profissionais por indicação, redes sociais ou pelo Cadastro Nacional do Conselho Federal de Psicologia (CFP), onde dá para consultar o registro de qualquer profissional. Antes de agendar, vale conferir se o registro (o número de CRP) está ativo e se a profissional está cadastrada na plataforma e-Psi, que reúne quem faz atendimento online no Brasil.

Além do registro, observe outros pontos: a abordagem teórica (eu trabalho com Terapia Cognitivo-Comportamental), a forma como ela se comunica e se você se sentiu acolhida (ou acolhido) na primeira conversa. Muitas psicólogas oferecem um contato inicial breve, por mensagem ou chamada curta, justamente para alinhar expectativas antes de marcar a primeira sessão. Esse contato não é terapia, é um alinhamento: horários, formato, dúvidas.

Confiar no próprio desconforto também é informação. Se algo na comunicação não te deixar à vontade, é legítimo procurar outra profissional. O vínculo é parte do trabalho.

Como é o agendamento e quais combinados fazer antes de começar

Na terapia online, o mais comum é um horário fixo semanal, com sessões de cerca de 50 minutos. O combinado prévio evita mal-entendidos e protege o seu espaço.

Antes de começar, alinhe com a psicóloga:

  • Dia e horário fixos: a mesma janela semanal ajuda na constância e na organização da sua rotina.
  • Plataforma de vídeo: qual aplicativo ou site será usado, e se a sessão é por chamada de vídeo ou pode migrar para voz.
  • Remarcações: com quanta antecedência avisar, como funciona em caso de imprevisto e o que acontece em feriados.
  • Forma de contato entre sessões: se é só para questões de agenda ou se há outro canal combinado.

Esses detalhes parecem burocráticos, mas são eles que sustentam a sensação de segurança. Quando tudo está combinado, você pode usar a sessão para o que importa.

Como preparar o ambiente para ter privacidade em casa

O ideal é um lugar fechado, onde você não seja interrompida (ou interrompido) e não precise abaixar a voz. Fones de ouvido ajudam a manter o som só para você e melhoram a qualidade da escuta.

Algumas medidas simples fazem diferença:

  • Avise quem mora com você que aquele é o seu horário de sessão e peça para não bater na porta, salvo urgência.
  • Use fones com microfone, se possível.
  • Se o som de fora incomodar, um ruído branco do lado de fora da porta (ventilador, um aplicativo de som ambiente) ajuda a abafar conversas.
  • Se em casa não houver privacidade, alternativas funcionam: o carro estacionado em um lugar tranquilo ou uma sala reservada no trabalho, se você puder usar por alguns minutos.

Privacidade não é luxo na terapia online: é condição para você falar com liberdade. Se o único lugar possível for o carro, tudo bem — desde que seja seguro e você esteja estacionada (ou estacionado).

Dá para fazer terapia online pelo celular?

Sim, dá. A maioria das pessoas faz terapia online pelo celular, e isso não prejudica a sessão, desde que você cuide de alguns detalhes.

Algumas dicas práticas:

  • Apoie o celular na altura do rosto, com um suporte ou encostado em algo firme, para não ficar segurando o aparelho o tempo todo.
  • Deixe o carregador por perto e, se possível, o celular carregando durante a sessão.
  • Ative o modo não perturbe para evitar ligações e notificações no meio da conversa.
  • Teste a internet antes: um teste rápido de vídeo com alguém ajuda a saber se a conexão aguenta.
  • Prefira uma rede estável a um sinal fraco de dados móveis.

Se você tem computador disponível, ele pode oferecer uma imagem mais confortável, mas o celular é uma opção totalmente válida — e muitas vezes a mais prática.

O que fazer se a internet cair durante a sessão

A queda de conexão acontece e não é motivo para pânico: o importante é ter um combinado prévio. Antes de começar, pergunte à sua psicóloga como ela costuma lidar com isso.

O roteiro mais comum é: tentar reconectar na mesma chamada; se não der certo, migrar para uma chamada de voz, que costuma exigir menos da conexão; e, se nada funcionar, remarcar ou compensar o tempo conforme o que foi combinado. Ter isso definido antes evita que um imprevisto técnico vire uma experiência ruim. E se acontecer do seu lado, avise por mensagem assim que possível.

Como manter a constância entre uma sessão e outra

A constância é o que sustenta o processo, e ela se apoia em pequenos rituais. Chegar cinco minutos antes, fechar a porta, respirar e sentar já sinaliza para o seu corpo que aquele tempo é diferente.

Algumas ideias que costumam ajudar:

  • Não emende a sessão com uma reunião ou compromisso logo depois. Deixe alguns minutos para "aterrissar".
  • Crie um ritual de encerramento: um copo de água, uma caminhada curta, uma anotação do que ficou.
  • Anote ideias e situações durante a semana, no celular ou em um caderno, para levar à sessão.
  • Proteja o horário como você protege outros compromissos importantes.

Não precisa ser perfeito. Se uma semana for corrida, você leva isso para a sessão — muitas vezes é justamente esse material que rende a conversa.

Existe terapia online gratuita?

Sim, existem caminhos gratuitos. Clínicas-escola de universidades costumam oferecer atendimento psicológico supervisionado, e a rede pública (SUS) também oferece cuidado em saúde mental: a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada, e os CAPS atendem casos de sofrimento mais intenso.

Vale entrar em contato diretamente com esses serviços para saber como funciona a fila, os horários e se há atendimento online ou apenas presencial. Se você está em situação de urgência ou crise, procure ajuda imediatamente: o CVV atende 24h pelo telefone 188 e, em emergências, ligue para o SAMU (192).

Perguntas frequentes sobre como fazer terapia online

Preciso de algum equipamento especial para começar?

Não. Um celular ou computador com câmera, microfone e internet razoável já bastam. Fones de ouvido ajudam bastante, mas não são obrigatórios.

Posso fazer a sessão de qualquer lugar do Brasil?

Sim, desde que você esteja em um lugar reservado, seguro e com conexão estável. O atendimento online permite que você seja acompanhada (ou acompanhado) por uma psicóloga de outra cidade, desde que ela atenda nesse formato. Eu atendo online para todo o Brasil e, para quem está em Fortaleza, também presencialmente.

E se eu me distrair com coisas de casa durante a sessão?

É comum no início. Fechar a porta, silenciar notificações e avisar quem mora com você reduz muito as interrupções. Com o tempo, o ambiente vai ficando associado àquele momento.

Preciso contar para alguém que faço terapia online?

Não. Você decide com quem compartilha. A terapia é um espaço seu, e a privacidade faz parte do cuidado.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma avaliação profissional individual. Cada processo terapêutico é único e deve ser conduzido de forma personalizada.

Essa frase fez sentido pra você?

Se você se identificou com algo neste texto, pode ser um bom momento para conversarmos.

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Cristiane Spinnler, psicóloga

Cristiane Spinnler

Psicóloga Clínica · CRP 06/147214 · Atendimento presencial em Fortaleza e online para todo o Brasil, com foco em Terapia Cognitivo-Comportamental.